DIA 3: A EMPATIA POLÍTICA E AFETIVA ENTRE PAUL ROBESON E OS MINEIROS GALESES

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Paul Robeson e os mineiros galeses, na década de 1920

A partir do livro Black Skin, Blue Books: African Americans and Wales 1845-1945 (2012), de Daniel G. Williams, o pesquisador Huw Williams, da Universidade Cardiff, contou a história da relação de empatia política e afetiva entre o ativista afro-americano Paul Robeson e os mineiros galeses em 1928, para ampliar as discussões acerca da justiça global. Na manhã do último dia do I Colóquio Justiça, Democracia e Emoções Políticas em Perspectiva Transnacional, Huw mostrou como os estudos sobre justiça global podem ir além de dimensões estatais, das dicotomias entre Norte e Sul, das visões de que os problemas de justiça estão “lá fora” e das buscas por uma convergência moral que deixam de valorizar as peculiaridades culturais de cada sociedade.

Ele se propõe a contar a história afetiva entre Paul Robeson e os mineiros galeses para mostrar como outras questões também podem ser levadas em consideração com o intuito de ampliar mais o debate sobre justiça global. “Trata-se de uma narrativa que vai além dos estados ao abarcar grupos culturais sem nação por se tratarem substantivamente de indivíduos, uma história que trata do mundo ocidental, um conto que fala de dois movimentos sociais que se uniram fortemente dentro de suas diferenças culturais”, justifica Huw Williams.

Assim, o caso trazido por Huw elucida aspectos que, para ele, poderiam ser utilizados de maneira mais recorrentes nos estudos sobre justiça global, sem deixar de incluir – como ele frisa – os aspectos já abordados pela maior parte das pesquisas sobre o tema. “Eu sugiro uma leitura complementar à pesquisa e aos debates sobre justiça global – não uma rejeição radical ao que já foi feito antes”, aponta o pesquisador.

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Montagem mostra frase de Paul Robeson: “Não há lugar no mundo que eu goste mais que o País de Gales”

A história de Paul Robeson e os mineiros galeses foi narrada de maneira detalhada e aprofundada por ele. Diz-se que a primeira ligação estabelecida entre Robeson e os mineiros foi em 1928, quando ele resolveu aderir a uma marcha dos mineiros galeses cantando no London’s West End. Não se sabe se a relação começou realmente ali, mas ela sinaliza a relação entre ambos os grupos tinha uma base política, mas também emocional, uma vez que ela partia das músicas cantadas por Paul Robeson.

Huw Williams destaca uma das falas de Robeson que sinaliza como o seu comprometimento político não veio apenas da fé nos direitos do seu povo, mas também da conexão com os mineiros galeses que, na época, sofriam com ondas de demissões.

Leia abaixo o trecho original, colocado na íntegra para evitar problemas de tradução >

“I was in the Welsh valley, and the Welsh people sing very much like we do – the Negro people – in many of our songs – beautiful songs. And I was one of the few outsiders who sang at their national festival, which has gone on since the time of the Druids. And I went down into the mines with the workers, and they explained to me, that ‘Paul, you may be successful here…, but your people suffer like ours. We are poor people, and you belong to us. You don’t belong to the bigwigs here in this country.’ And so today I feel as much at home in the Welsh valley as I would in my own Negro section in any city in the United States. I just did a broadcast by transatlantic cable to the Welsh valley, a few weeks ago, and here was the first understanding that the struggle of the Negro people, or of any people, cannot be by itself – that is, the human struggle. So I was attracted by and met many members of the Labour Party, and my politics embraced also the common struggle of all oppressed people, including especially the working masses – specifically the laboring people of all the world. That defines my philosophy. It’s a joining one. We are a working people, a laboring people – the Negro people”